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CUIDADOS E BEM ESTAR
Quinta - 25 de Maio de 2017 às 08:00
Por: Tina Szabados

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"A partir do 40 anos, mulheres devem evitar usar maquiagem preta marcada nos olhos" - assim me disseram há muito tempo atrás.

Ah é? Olha a quarentona aqui - com o olho marcado no preto e delineadão! Tô nem aí!!! Aliás, já reparou na quantidade de coisas que a gente passa a vida ouvindo as pessoas dizerem que a gente não pode ou não deve fazer depois de uma certa idade?

Quer uma dica? Se libertaaaaaaa! Faça aquilo que você gosta e que te faz bem. E isso vale para tudo na vida!!!


Eu sempre fui vaidosa, por isso me lembro bem de ter recebido muitas regrinhas, na vida, relativas à beleza. A primeira delas, foi aos quatro anos de idade, quando eu queria - loucamente - pintar as minhas unhas de vermelho. Isso foi em 1981... Minha vó retirou o vidrinho de esmalte das minhas mãos pequeninas e, com sua outra mão, segurou o meu braço com carinho e disse "Essa cor não é para mocinhas. Para você, só esse rosinha aqui" - e me mostrou um outro vidrinho com um esmalte rosinha pálido, que não chegava a ser feio, mas era completamente diferente do que eu queria, do que eu achava bonito...

Aos 14 anos, meu "must have" da beleza era o batom vermelhão. "Que boca de biquinho de lacre é essa menina? Você é muito nova! Tira isso agora ou nem sai de casa!” Eu tirava e passava na escola. Depois tirava outra vez antes de ir para casa... Todo dia eu repetia a mesma rotina do batom marginalizado na minha casa por parecer "coisa de puta". E eu já estava no início dos anos 90!!!

Depois, no fim da adolescência - lá pelos meus 16 anos - eu queria muito ter um cabelão até a cintura, pintado de vermelho. (Ahhhhhh, sempre o vermelho, né? Nas unhas, na boca, no cabelo. Meu Mapa Astral com várias casas zodiacais com mais fogo do que água, apesar de eu ser pisciana, explica...) Mas meu pai não deixou eu usar. Disse que isso era visual "de gente hippie".

E assim foi vida à fora... Nos meus quarenta anos de vida, ouvi muitos "não pode isso", "não pode aquilo" relacionados à Beleza e à Moda... Aliás, já reparou na quantidade de coisas que a gente passa a vida ouvindo as pessoas dizerem que a gente não pode ou não deve fazer por causa da idade? Principalmente depois dos 35, 40 anos...

"Não pode usar saia curta porque é coisa de garota nova";
"Não pode usar maquiagem marcada nos olhos depois dos 40 anos porque marca as rugas";
"Não pode usar cabelo longo porque envelhece";
"Não pode pintar o cabelo com cores fantasia" (rosa, azul, verde, roxo...) "porque fica parecendo maluca";
"Não pode usar shorts curtos porque parece coroa piriguete";
"Não pode gostar ou dançar funk porque vai ficar parecendo uma velha afetada";

Não pode! Não pode! Não pode! Peraí! NÃO PODE É O CARAMBA!!! Se eu quero, se gosto, se me sinto bem, por que não? Quem vai dizer que "não pode" e vai me impedir? E isso vale para tudo na vida, não só para beleza, viu?


CRISE DOS 40 ANOS; SUA LINDAAAAA!!!

A gente se prende à tantas regras alheias por tanto tempo... Daí chega uma hora que nos deparamos com uma coisa maravilinda chamada de "crise dos 40 anos" - que, apesar do nome "crise" não é uma coisa ruim. Refere-se à ruptura de antigos costumes e uma nova forma de ver o mundo. Um processo de libertação. Estou passando por ela e AMANDO VIVER ISSO!

A crise dos 40 anos, pra mim, é uma ótima oportunidade para a gente viver de forma mais significativa. A vida inteira, vivemos para a família, para o trabalho, para a sociedade, para sei lá o quê. Fazemos um milhão de coisas - todo santo dia - e levamos em consideração o que muita gente fala, o que muita gente quer. E nessa rotina doida de dar mais valor ao outro do que a nós mesmas, muitas vezes, chegamos a nos esquecer das vontades, desejos, sonhos, próprios. Nos deixamos de lado de tantas formas... Esquecemos até de nos cuidarmos!!!

A QUARENTONA E A BELEZA: NÃO, ISSO NÃO É FUTILIDADE!

Se sentir bonita, muitas vezes - na vida - vira firula, futilidade... Nos ensinaram que mulher de respeito é aquela que tem estudo, aquela que é bem sucedida intelectualmente e realizada financeiramente - como se, hoje em dia, uma coisa tivesse relação com outra... Tanta gente cheia de estudo e ferrada no dinheiro... Sim! Estudar é fundamental porque nos faz ver o mundo melhor - eu que fiz três faculdades diferentes (Jornalismo, Direito e Ciências Sociais), uma especialização (em Comunicação Empresarial) e diversos cursos de extensão sei disso! Mas por que a mulher que estuda tem que ser apagada? Quem colocou "estudos" e "beleza" em locais diferentes? E por quê? Com qual objetivo obscuro?

Já notou na cobrança social que existe, impondo que mulher inteligente não deve dar valor à maquiagem, cabelo, etc? O que uma coisa tem a ver com a outra, minha gente???

Por que a mulher inteligente não pode desfilar por aí batendo cabelão, usando batom colorido e com unhas feitas? Por que se valoriza o fato da mulher que lê livros e não se dá crédito algum ao fato de ela se cuidar e se sentir bonita? Por que a autoestima é tão desconsiderada?

Seria machismo? Provavelmente! Afinal de contas, muito antigamente, mulheres não frequentavam os bancos de uma universidade - só os homens tinham esses direito. E homens não usam batom, não pintam as unhas, não batem cabelo... Então foi ensinado à mulher que, para frequentar uma faculdade, para ter estudo, para ser inteligente, era necessário ser igual ao homem!

Não é louco? Sim! Muito!!! E mais: é preconceito! E tá tão incutido na nossa cabeça que nem entendemos porque fazemos essa relação de que "mulher que gosta de se enfeitar é fútil" e que bonito mesmo é ser inteligente e sem vaidade... Aff!

Mas quando a gente chega à crise dos 40 anos, nota que não precisa provar nada a ninguém! Já vivemos tanta coisa, já estudamos ou já trabalhamos pra caramba! Já conquistamos tanto! E queremos conquistar ainda mais!!! Os hormônios estão mudando e a mente muda junto. A gente passa a querer se sentir bonita sim! Usar maquiagem sim! Ir ao salão sim! E entendemos que ninguém tem nada a ver com isso! Podemos ser estudadas (como dizia a minha avó), mas também podemos ser lindas, sensuais, provocantes - and - inteligentes! Podemos causar do jeito que quiser. E nunca seremos fúteis por causa disso! Aliás, isso nem existe! (kkkkkkkkkkkkk) É só algo que inventaram para a gente e que seguimos, muitas vezes, cegamente. Quanto tempo perdido...

Então a gente corre pro salão, para a amiga, para os tutoriais de maquiagem. Queremos fazer tudo! Lembramos de antigas vontades e colocamos em prática: nos jogamos no batom vermelhão, nos olhos marcados, no cabelo colorido... E ligamos o "phoda-se" para o preconceito alheio, disfarçado de opinião. E a modernidade do mundo, a consciência moderna das coisas, nos dá uma vantagem maravilhosa em relação às mulheres que vieram antes da gente: hoje em dia, a mulher pode tudo! Então incomodada com isso ficavam as nossas avós!!!

AS LOBAS E SUA MATILHA: FILHOS, MARIDO E A CASA...

Há ainda o ensinamento que diz que uma boa mãe, dona de casa e esposa, coloca os filhos, o marido e a casa em primeiro lugar sempre. Ok! Mas seguir isso, ao pé da letra, fez com que você se deixasse de lado por quantas vezes?

Sei que filhos, por exemplo, são maravilhosos e têm um lugar de destaque na vida de qualquer mãe. Sei também que educá-los e cuidar do bem estar deles é obrigação dos pais (mãe e pai). Mas porque nos anulamos tantas vezes por causa dos filhos? Acredite: não é isso que eles querem! Saber que nossa mãe deixou de estudar o que ela queria ou deixou de fazer o que ela gostava, por nossa causa, deve ser muito triste para qualquer filho - quando ele chega na maturidade cerebral de perceber isso! Eu ficaria chateada até de saber que minha mãe deixava de se cuidar, de fazer uma academia, de tirar uns minutos do dia para se fazer um carinho (ir ao salão, tomar um banho demorado) por minha causa.


Meus filhotes, minha vida! Mas não me anulo ou me esqueço. Não mais! Me cuido por mim e por eles...

Quando a idade da loba chega, normalmente a gente não abre mão do nosso papel de mãe, esposa e profissional. O que fazemos de diferente é nos acrescentar à todas essas prioridades! Essa é uma diferença considerável e que notei na minha própria vida, depois de fazer 40 anos. E isso traz prazer! É gostoso a gente pensar na gente também!!!

Meu conselho para quem é quarentona, como eu (ou tá quase lá) é cuide-se - mesmo que você tenha filhos, marido, papagaio, periquito! Dedique um tempo só para você. E nem é preciso fazer coisas miraculantes, sabe? Vale aquele banho mais demorado, creminho hidratante e anti idade, mudar o cabelo... Essas coisas que cabem perfeitamente no nosso dia a dia! Eu tenho dois filhos: um adolescente e um de quatro aninhos (que tem autismo moderado e precisa de alimentação diferenciada e muitas horas de terapia e atenção. Ele ainda não fala, não come sozinho, usa fraldas... Ou seja, precisa de supervisão o tempo todo que está comigo) e, mesmo assim, eu me cuido ;-) Ah, e eu não tenho babá ou empregada doméstica não, viu?

Beba muita água, faça exercícios, pare de fumar... Seja saudável! Isso vai ser bom para você (que vai se manter em dia com o espelho e consigo mesma) e ótimo para os filhotes - que terão a mamãe por perto por mais tempo :) Se você ainda não iniciou essa mudança na tua vida, essa é a hora! É claro que as pessoas à nossa volta estranham essa modificação de comportamento - a gente se importando com a gente mesma depois de tanto tempo nos colocando de escanteio. Mas, sinceramente? Nada mais justo para quem passou a vida toda cuidando dos outros. Vocês não acham?

A crise é um momento de descoberta, onde a gente se desprende de tanta coisa e quer o nosso tempo reservado para gastar -principalmente - com a gente mesma ;-)

QUARENTONAS: PROFISSÃO

Nesse post só falo de coisas da minha própria experiência (mudanças que estão acontecendo comigo) e também das que vi acontecerem com outras quarentonas próximas a mim... Uma coisa muito louca que pode acontecer nessa fase da vida é a mulher achar que tudo o que ela já viveu na vida, não a levou onde ela realmente queria estar - e isso acontece inclusive profissionalmente!

A gente começa a se argumentar se tomou os caminhos certos. Se o que fizemos profissionalmente foi por escolha própria ou se seguimos esse caminho por influência de terceiros ou pela necessidade da vida...

Gente, é tanta mudança na cabecinha e no coração de uma mulher na idade da loba que na área profissional não poderia ser diferente. Ainda que realizadas, colocamos em cheque toda a experiência profissional. Comigo não está sendo diferente!

Não que eu não ame o jornalismo - pelo contrário! Mas, quando mais nova eu queria tantas coisas (algumas, até fiz), mas outras eu deixei de lado por medos, inseguranças, pela família, pelo filho. Agora, fiz 40 e, como num passe de mágica, decidi retomar os estudos e cair com toda força numa mudança profissional. Mas vai ser A MUDANÇA PROFISSA mesmo!!! (kkkkkkkkkkkkkkkk).

Não quero entrar em detalhes porque creio que projetos assim, a gente guarda para si mesma até eles se concretizarem... Mas vai mudar a minha vida (e a vida da família) completamente. E no momento em que tomei a decisão de "entrar de cabeça" assim nessa "parada", ADOREI! Estou vivendo uma fase muito parecida com a que vivi na época do vestibular: me sinto empolgada, vibrante, desafiadora. Está sendo uma delícia! Fico me perguntando o porque de eu ter demorado tanto nessa decisão...

É normal! Aos 40 muitas vezes sentimos que não fizemos tudo o que tínhamos que fazer e, ao mesmo tempo, percebemos que já não temos 20 anos! (kkkkkkkkkkkk) Ou seja, temos menos tempo para realizar. Daí é essa corrida frenética para chegar lá ;-)

QUARENTONAS: MENTE E CORPO SÃOS

Durante a tal crise, a gente passa tanto por mudanças na cabeça, como no corpo. Aliás, essa mudança no corpo, por exemplo, é importante para a própria entrada na crise. O fato de termos que lidar com questionamentos sobre o fim da idade fértil (ainda que muitas de nós ainda não estejamos - de fato - vivenciando isso) e da transformação da beleza, são fatores que sempre surgem nessa fase e criam "revoluções" internas por si mesmos.

Muitas de nós começamos a ficar mais preocupadas (e inseguras, às vezes) quando paramos para pensar que nosso corpo está mudando - só que, agora, não mais como aconteceu lá na adolescência...

Cada ganho de peso atestado pela balança no banheiro;
Cada cabelo branco na frente do espelho;
Cada visita média, cheia de precauções e orientações... Incomoda, chateia... E muito!

Quando eu tinha 33 anos, uma colega que acabara de completar 40 me disse: "Tina, quando você faz 40 é uma parada muito louca. No dia seguinte cai tudo!" Lembro que, na hora, tive uma crise de riso. Mas as palavras dela ecoaram na minha cabeça até março desse ano - quando eu mesma cheguei aos 40. No dia seguinte, estava eu lá - na frente do espelho - avaliando o que havia caído! (kkkkkkkkkkkkkkkkkkk) Tratei rapidinho de me matricular numa academia!!!

Lembro também que, certa vez - quando eu era mais nova - vi uma entrevista com a Xuxa, onde ela dizia que não sabia o que se passaria na cabeça dela, quando estivesse mais velha (NA ÉPOCA, ELA ERA BEM NOVINHA). Que não se imaginava saindo às ruas sem ser notada, sem ser considerada bonita ou desejada pelos homens... Me recordo que, na ocasião, achei um absurdo aquelas declarações! Eu nunca havia me importado em ser considerada bonita ou atraente. Pelo contrário! Tinha vergonha disso! Se um cara me mandava uma "cantada" na rua, eu queria me enterrar no primeiro buraco que encontrasse pela frente! (kkkkkkkkkk) Então por que eu ia querer ser "notada pelos homens" depois dos 40 anos?


Tô fazendo as fotos do post, toda toda e páhhhh! Ele chega pra zoação! Esse meu marido é uma figura! Ah, ele é três anos e meio mais novo que eu :)


Mas isso rola sim, gente! Não por capricho, não por vaidade propriamente dita. Mas por neura! O fato de perceber que os homens preferem "as novinhas" gera um medinho da solidão - para quem tá na pista (porque sente que fica mais difícil encontrar uma pessoa especial para dividir momentos) e para quem é casado, amarrado ou enrolado (porque a gente pensa que nosso próprio parceiro não vai mais se importar tanto com a gente, como antes...). Algumas amigas minhas estão passando por isso, aliás! Na cabeça delas, devido à idade, perderam valor para seus parceiros. E como tem homem no mundo que reforça essa ideia pela forma como se comportam!!! Né não?

Pensa o seguinte: qualquer relação está sujeita a mudanças! E isso não está atrelado somente com idade, beleza e juventude! Eu sei que mudanças físicas mexem com sentimentos e que isso pode se refletir em nossos relacionamentos. Mas não somatize! Nem tudo o que acontece na nossa vida é por nossa causa e, nem tudo o que acontece no teu relacionamento, após os 40 anos é por causa da tua idade ou da tua aparência ;-) Muitas vezes o problema já estava lá. A idade, ou melhor, a maturidade dos 40 anos só te fez enxergar melhor essas questões.

Há mulheres que não suportam ver essas coisas ou passar por isso. Daí, fazem plásticas ou se submetem a tratamentos exagerados de beleza. Mas, na real? Não se importe tanto com isso! Cuide-se, fique linda e saudável para você mesma. Siga o teu próprio padrão de beleza. Teu parceiro vai ver isso e só o fato de você estar mais confiante já é um atrativo natural. Acredite!

O mesmo vale para quem "tá na pista": gente autoconfiante chama muito mais atenção; -) Ah, e tem mais: nem todos os homens preferem as novinhas ;-)

A idade da loba e a liberdade de vida, agregada às quarentonas, acrescenta uma certa "boniteza" diferente às mulheres. Mas a mudança real, o sentir-se bem, ocorre na cabeça de cada uma de nós. Pense nisso!

Mil beijos na alma e arrasem como nunca, porque SOMOS LIVRES e NÃO SOMOS obrigadas a NADA!

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Autor

Tina Szabados
contato@makecoisaetal.com.br

Tina Szabados é graduada em Jornalismocom especialização em Comunicação Empresarial pela Universidade Cândido Mendes. É coordenadora de Comunicação na empresa Enfática Comunicação & Marketing, tem 38 anos e é mãe de um garotão de 11 anos de idade e de um bebezão de dois anos! Apesar de já ter trabalhado em várias áreas da comunicação, é fascinada pela imprensa feminina, onde atua como editora no site Make, Coisa e Tal.

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