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MAMÃE, COISA E TAL
Segunda - 09 de Abril de 2018 às 08:09
Por: Tina Szabados

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Todo ano, após o dia 02 de abril (Dia Mundial pela Conscientização do Autismo), começo a receber várias mensagens de leitoras que também são mães, tias, primas, avós... de crianças pequenas, querendo saber a minha opinião sobre o "quadro clínico" de suas crianças. Muitas acreditam que seus pequenos (e pequenas) estão dentro do espectro.

A grande verdade, minhas queridas, é que - infelizmente - não tenho como dar essa afirmação somente pela descrição da criança, que vocês me relatam.

Daí, você pode estar aí pensando: "Mas Tina, você não tem dois filhos no espectro? Como não sabe?"

Gente, é que o TEA (Transtorno do Espectro Autista) envolve uma série de variantes que fazem com que, cada criança dentro desse transtorno, seja única. Muitas vão ter comportamentos e características similares. Mas são sempre diferentes umas das outras. Aqui em casa mesmo! Marco (com 14 anos e TEA leve) é completamente diferente do Paulo (com cinco anos), que tem TEA moderado.

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Como se não bastasse essas diferenças, (o grau do TEA sim, muitas vezes é um dos motivos), outros fatores, como a associação do autismo a outros transtornos, e até à síndromes, também pode tornar o quadro de características de uma criança com TEA ainda mais diferenciado (há autistas com TDAH, com TOD, com bipolaridade, com hiperlexia, como Síndrome de Down... Enfim!) E há também crianças como o TEA e nada a mais.


Paulinho e eu - de cabelo azul - pelo Dia Mundial da Conscientização pelo Autismo, no último dia 2 de abril

Cada caso precisa ser analisado por um profissional especializado (Pediatra, Neuro-pediatra ou Psiquiatra - todos especialistas em autismo. Ou ainda por psicoterapeutas com especialização em TEA - não adianta, muitas vezes levar em profissionais da saúde sem essa especialização porque eles não sabem identificar o transtorno e a criança acaba perdendo um tempo valioso de intervenções terapêuticas para o seu desenvolvimento). Esses profissionais fazem a correta identificação do transtorno (ou transtornos/síndromes). É esse diagnóstico (com laudo) que representa o início do caminho para o desenvolvimento da criança através das intervenções terapêuticas e multidisciplinares (fonoaudiologia, nutrição, motricidade, psicologia, etc, etc, etc... O tratamento mais adequado vai variar de criança para criança, de acordo com cada caso).

Em alguns casos, o que pode parecer autismo, pode ser - na verdade - outra coisa. Tenho uma amiga, a qual o filho tinha características muito parecidas com o autismo, mas que na verdade, tinha esquizofrenia. Há muitos casos também de crianças com hiperlexia, confundida com autismo leve (também conhecido com Asperger). Ou seja, tem que levar ao especialista! Porque pode ser autismo? Pode! Pode ser TEA associado? Pode! E também pode ser outra coisa. Entende a questão central da coisa? Qualquer diagnóstico só pode ser feito por especialistas.

Abaixo, vou deixar as descrições das condições e algumas características, na infância e adolescência, do TEA e também de transtornos e síndromes que podem ser confundidos e/ou associados com o autismo. São condições que podem se apresentar de forma distinta ou coexistirem juntas - em casos de TEA ou não.


AUTISMO

AUTISMO LEVE (TAMBÉM CONHECIDO COMO ASPERGER)


TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE


P.S.: Marco, meu filho mais velho, foi diagnosticado com TDAH, por um neuro, aos cinco anos de idade. Na época, o médico não conhecia sobre o autismo... Hoje em dia, sabemos que Marco tem autismo leve (Asperger) associado ao TDAH. Foi através da identificação do autismo do Paulo e através do conhecimento que passamos a ter sobre o assunto - através da vivência com o filho mais novo e também pela realização de cursos na área (para que pudéssemos entendê-lo melhor) é que conseguimos entender o Marco, identificando o autismo nele também. Isso nos levou a buscar a confirmação do caso através do correto diagnóstico, que veio somente aos 13 anos de idade.


DISLEXIA


SÍNDROME DE TOURETT


TRANSTORNO OPOSITIVO DESAFIADOR


P.S.: Paulinho tem suspeita de TOD associado ao TEA. No momento, a condição está em investigação na terapia para dar a correta intervenção no tratamento através de pisicoterapia específica para o caso.


TRANSTORNO BIPOLAR


HIPERLEXIA - TAMBÉM CHAMADA DE "ALTAS HABILIDADES"


P.S: Apesar de ser conhecida atualmente como "Altas habilidades", eu ODEIO esse termo! Aliás, odeio esse termo e o antigo, que era dado quando eu era criança: superdotação... Eu tenho hiperlexia e sempre odiei ser taxada de superdotada. Pessoas com hiperlexia não são gênios! A gente tem sim interesse por várias áreas distintas (eu mesma, acabei fazendo graduação em Direito, Jornalismo e Ciências Sociais + algumas especializações). O que a gente tem, na verdade, é facilidade em algumas áreas - principalmente naquelas que são interligadas. Na escola, por exemplo, eu sempre dominava o Português, Redação, Literatura, História, Geografia e Biologia. Mas era uma negação em Matemática, Física e Química).

NÃO SACO NADA de exatas. Mas posso falar amplamente sobre uma gama absurda de assuntos que já estudei porque gostava, como por exemplo, sobre espécies de besouros!!! (kkkkk) Não é algo relacionado à minha área de formação ou de trabalho. Mas eu gosto! E quando um hiperlexo gosta de um assunto, ele vai ler ABSOLUTAMENTE TUDO SOBRE ELE E SE APROFUNDAR SOBRE AQUILO - não importa se é uma informação que ele vá usar em seu dia a dia. Para alguém que é hiperlexo, não existem informações úteis específicas. Tudo o que a gente gosta PRECISA SER CONHECIDO. É quase um vício! Eu lembro que, aos nove anos de idade, eu ia à feira comprar peixe para o almoço e, quando chegava em casa, eu TINHA QUE LER TODO O JORNAL QUE ESTAVA EMBALANDO O BICHO ANTES DE LIMPÁ-LO E PREPARÁ-LO!

E essa condição é chata pra caramba! Não tem nada de legal nisso! A gente sobrecarrega a mente porque, simplesmente, não consegue passar por uma informação sem parar para ler e saber do que se trata - O TEMPO TODO! Nos jornais, revistas, no outdorr da esquina, na propaganda atrás do ônibus, na bula dos remédios... NÃO SOU SUPERDOTADA, NÃO SOU GÊNIO, SOU VICIADA EM INFORMAÇÃO. Um dia vou escrever um post aqui, bem específico sobre isso. Ok?

ESQUIZOFRENIA INFANTIL

OBS.:

>> Por favor, não vá dizer pra sua amiga ou familiar que o filho dela é autista apenas porque ainda não fala ou interage com facilidade.

>> Não vá dizer à sua amiga ou familiar que sua criança tem autismo só porque meus filhos têm e são assim ou assado.

>> Não vá dizer à uma amiga ou familiar que o filho dela tem TDAH, esquizofrenia, Tourett ou qualquer outro transtorno só porque leu aqui. Combinado?

Você pode até perguntar se sua amiga ou familiar conhece sobre tais transtornos. Pode indicar esse post. Mas sempre oriente a pessoa a procurar um atendimento de saúde especializado.

💓 Nossas palavras podem amparar ou machucar, escolha sempre a primeira opção! ;-)

Beijocas de luz!

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Autor

Tina Szabados
contato@makecoisaetal.com.br

Tina Szabados - Jornalista por formação. Blogueira por acaso. Carioca, mãe de dois anjos azuis (TEA - Transtorno do Espectro Autista) e quarentona.

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